O dólar atingiu sua cotação mais alta em algum tempo nos últimos dias. O que temos visto é uma combinação de preocupações e situações.
Podemos citar, em primeiro lugar, a preocupação com a questão fiscal no Brasil. O governo atual fez uma série de declarações deixando evidente que a aceitação é maior quando falamos de uma piora nos números fiscais do país, não só deste ano, mas dos próximos, e isso preocupa bastante.
O segundo ponto é uma preocupação mais generalizada com os mercados emergentes.
No México, por exemplo, tivemos uma eleição vencida por uma candidata que também traz preocupações fiscais para o país e também de políticas econômicas em geral, o que acarretou uma desvalorização do peso mexicano em mais de 5% em um único dia.
E por fim, o fenômeno mais importante que está interferindo nesse movimento que estamos observando no dólar americano é a preocupação com a taxa de juros nos Estados Unidos e na Europa, que talvez demorem muito mais a cair, ou talvez sequer caiam, contrariando a expectativa anterior. Ou seja, há uma preocupação com a manutenção das taxas no patamar atual ou até mesmo com um movimento de elevação, e não de queda.
Tudo isso gera um movimento de aversão no mundo, e nos mercados emergentes, incluindo o Brasil, não é diferente.
Por isso, olhando para o futuro, se esse clima continuar dessa forma, é possível que o dólar suba mais.
Porém, será que isso se manterá no longo prazo? É difícil saber.
Por outro lado, estamos vendo a economia chinesa com projeções de crescimento ainda maiores, o que leva a um aumento nos preços das commodities e tende a provocar uma entrada maior de recursos estrangeiros no Brasil, o que derrubaria o dólar.
Resumindo, estejam preparados para movimentos fortes, talvez no curto prazo, quando falamos em alta do dólar. Mas, quando falamos em períodos mais longos, dificilmente isso se sustentará.

